Agora que conhece a geração sete e meio, a gama VW Golf surge mais madura que nunca ao receber renovados equipamentos de infotainment, a possibilidade de montar novos sistemas e um restyling estético quase impercetível, para além dos 5 cv adicionais neste 1.6 TDI. Como uma das referências do segmento que é, a carrinha surge num primeiro embate com outras duas “grandes” opções: Opel Astra e Renault Mégane, ambas com motores 1.6D.

Com a chegada da renovação da sétima geração do Golf, a VW reforça a aposta na caixa DSG de sete velocidades, um argumento que facilita a condução, melhora os consumos e anula a sensação de falta de força a baixos regimes desde sempre evidenciada pelo 1.6 TDI. Esta vantagem tem como “senão” o aumento do preço final, o que coloca a carrinha Golf equipada com o motor 1.6 TDI de 115 cv, muito próxima dos valores finais das carrinhas Opel Astra e Renault Mégane Diesel mais potentes, “alimentadas” pelos motores 1,6 litros de 136 e 130 cv respetivamente, mas dotadas de caixas de velocidades manuais. Será que com menos potência, mas com o argumento caixa DSG a VW Golf vai levar de vencida esta batalha? É exatamente o que vamos descobrir. Só para fazer um pequeno preâmbulo, a renovada carrinha Golf ganhou essencialmente novas luzes diurnas dianteiras, uma máscara diferente dos farolins e um sistema de infotainment melhorado que permite todas as ligações a dispositivos iOS e Android, a possibilidade de ter internet a bordo e uma interação mais intuitiva com o condutor.

Golf passa dos 600

Para manter alguma fidelidade em relação às unidades fotografadas, optámos por considerar todos os extras, elementos que foram tidos em linha de conta no equipamento e no preço. No caso da Opel Astra, por exemplo, consideramos o teto de abrir elétrico (700), a câmara traseira (200 euros) as jantes em liga leve de 18” (1000 euros) e os vidros traseiros escurecidos (230 euros). Já no caso da carrinha Renault, foi considerada a pintura metalizada (430 euros) o travão de mão elétrico (200 euros), os faróis full LED (700 euros) e o ecrã tátil de 8,7” (300 euros). Quanto à versão Confortline da VW foi adicionada a câmara traseira (216 euros), as jantes em liga leve de 17” (427 euros), os faróis dianteiros em LED (779 euros), vidros traseiros escurecidos (284 euros) e o App Connect (185 euros).

Nenhum destes opcionais versou sobre a segurança, já que qualquer uma destas três carrinhas respeita os pergaminhos das respetivas marcas e dispõem de todos os elementos praticamente considerados obrigatórios neste segmento. Para além dos airbags e ESP, todas as carrinhas têm leitor de sinais de trânsito, leitor de manutenção na faixa de rodagem, sendo que Mégane e Golf contam com cruise control ativo de série. A carrinha francesa ainda acrescenta o Head Up display à lista de equipamento.

Mas se há um item de especial importância numa carrinha familiar, a capacidade (e a versatilidade) da mala vence facilmente este título. Depois de alguma supremacia no capítulo segurança por parte da Renault, a Golf Variant leva de vencida o ponto bagageira. São 605 litros e uma área bem acabada com tomada de 12 volts, espaço na zona junto do pneu suplente e uma chapeleira que recolhe com um só toque na pega. Existe ainda a possibilidade de rebater as costas do banco traseiro através de duas pegas neste espaço. O segundo lugar neste particular fica entregue à carrinha francesa. A Mégane disponibiliza 580 litros de volume e uma chapeleira idêntica à da VW que recolhe com o mesmo toque na pega. Quanto à Astra, os 540 litros disponibilizados colocam-na muito próximo da Renault, mas a chapeleira é menos prática e versátil. É a única que traz de série a abertura elétrica da mala, um sistema que começa a ser habitual no segmento. Se a marca de Wolfsburgo estudou bem a lição da bagageira, na habitabilidade não foi além do equilíbrio. Neste capítulo destaca-se a Opel. É a mais desafogada do segmento em largura, comprimento e altura, mas em qualquer uma viajam quatro adultos sem incómodos. A Renault destaca-se por oferecer diversos compartimentos para arrumações, tal como as outras duas concorrentes, mas, por outro lado, não exibe um rigor de montagem ao nível da solidez demonstrada pelas rivais germânicas. A VW destaca-se principalmente nos forros dos pilares A e na junção do forro do tejadilho com o para-brisas com a menor folga das três em contenda.

E os motores 1.6?

Em cidade, a Volkswagen é a mais fácil de levar, muito por culpa da caixa de velocidades de dupla embraiagem que facilita todo o processo de condução. Os comandos continuam a ter o peso certo e são muito intuitivos de dosear, mas agora a diferença para Opel e Renault é quase nula e apenas a caixa automática consegue essa supremacia. A redução e peso de que a nova geração da carrinha Astra foi alvo tornam este modelo muito fácil de conduzir, desde a ação dos pedais, da caixa e da direção, até à disponibilidade do motor a partir de regimes muito baixos. A Mégane tem comandos igualmente precisos, mas é a menos progressiva até às 1500 rpm, obrigando sempre a pisar o acelerador com mais vigor e a largar a embraiagem com maiores cuidados. Claro que, depois com as câmaras traseiras e os sensores de estacionamento à frente e atrás, tudo se torna muito mais fácil. 

Forte na dinâmica, a Renault não quis deixar os créditos por mãos alheias e tentou desde logo garantir a supremacia neste capítulo. O sistema Multisense, que permite a escolha de vários modos de condução dá uma ajuda, tal como as jantes em liga leve de 18” e a suspensão mais firme da versão GT Line, mas a VW vem mostrar que tem a lição bem estudada, e mesmo com as jantes em liga leve de 17”, consegue ser muito acutilante, mantendo sempre um rolamento suave e refinado. Possui um excelente tato de direção, reações neutras e progressivas, com o ESP a dar uma ajuda nas curvas mais pronunciadas. Esta Opel Astra ST, versão Innovation, não tem suspensão desportiva, mas tem as jantes de 18” que a tornam menos macia e confortável. A agilidade do chassis é muito boa, mas não consegue ser tão acutilante como as outras duas. Ainda assim é rápida a curvar e permite desligar o ESP, mas os limites de aderência são ligeiramente mais baixos e o controlo de movimentos de carroçaria não é tão apurado como nas outras duas. Além disso, a articulação de Watt na suspensão traseira, que tantos elogios granjeou nas berlinas ensaiadas que dela dispunham, é opcional (250€).

Comparando os motores, o 1.6 TDI com 115 cv não tem grandes hipóteses nas acelerações face aos outros dois, especialmente quando comparamos os números por nós medidos, todavia em condução nunca se sente submotorizada, muito por culpa da caixa automática que permite alcançar as melhores recuperações. O 1.6 dCi de 130 cv da Renault rubrica números competitivos, mas não consegue levar de vencida a resposta mais dramática do 1.6 CDTi de 136 cv da Opel, que a partir das 1500 rpm consegue empolgar o condutor, dando sempre a sensação de que “anda muito e bem”.

Conclusão

No capítulo economia, a Astra goza da vantagem preço para fazer frente à concorrência. É a mais barata, logo tem destaque na nossa pontuação. Mas a Opel tem ainda outro excelente argumento, como os consumos muito baixos, todavia cede pontos em capítulos como a garantia, com apenas dois anos, quando a Renault já vai nos cinco anos ou 150 mil km ou declarar intervalos de revisão de 30 000 km ou 1 ano quando Renault e VW esticam o prazo para dois anos. A Renault arrebata assim o primeiro lugar, alicerçado no bom comportamento (literalmente) da dinâmica, numa invulgar oferta de auxiliares de condução e em aspetos práticos como as garantias e intervalos de manutenção. Ainda assim, entre estas três propostas, a escolha vai resumir-se aos detalhes. Boa escolha!

 

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